O Sitema deve privilegiar a Interpretação?
Até onde o sistema deve influenciar na interpretação da sua mesa de jogo? Ele também deve ser responsável pelo RolerPlaying no RPG? É verdade que quanto menos regras, mais os jogadores interpretam?

No ultimo post, surgiu um comentário muito interessante que, além de outras coisas, tocava na questão de que o sistema não deveria necessariamente interferir na interpretação, e que este aspecto do RPG deve partir dos próprios jogadores e mestres. Resumindo: “porque todo mundo espera que o SISTEMA privilegie a interpretação?”
Antes de mais nada quero esgotar algumas respostas que considero serem lugar-comum, assim podemos analisar melhor a questão.
- “cada um joga do jeito que gosta independente do sistema” – (sim, sabemos disso e não é isso que estamos discutindo)
- “As regras não são leis, e podem ser modificadas ou quebradas se necessário” – (ok, parece que você leu com sucesso o primeiro capítulo de qualquer livro de RPG, e eu também)
- “Se não gosta de um estilo ou sistema de jogo, procure um que se adeque melhor ao seu gosto” – (sim, isso também vale pra sua pizza)
- “RPG é pra ser divertido, e é isso que importa” – (sim, mas muitas vezes sua namorada não entende e enche o saco por você de jogar)
Obrigado Capitão-Óbvio, agora vá e ajude a outros necessitados!
Pronto, agora que passou meu surto de cinismo quero ir direto aos pontos importantes e discutíveis.
Minha opinião é: sim qualquer sistema deveria ter regras que incentivem e privilegiem a interpretação (e preciso lembrar que privilegiar e priorizar são palavras de significados bem diferentes).
E porque?
Primeiro motivo: pode ser que o sistema em questão seja o primeiro RPG com que o indivíduo esteja tendo contato. Sendo assim é necessário que este seja um manual completo do jogo. Precisa passar o conceito geral de como funciona uma sessão de jogo, de uma forma que seja natural querer interpretar, até mesmo para o cara mais desenformado que por acaso ganhou os 3 livros de D&D 4th no amigo secreto da empresa!
Se o sistema não tratar o RollerPlaying como parte de suas regras de forma que ele realmente faça diferença, então teremos algo como os “emoticons” dos jogos de MMORPG. Não servem pra nada, quase ninguém usa e quem usa passa por idiota.
Segundo motivo: quantas vezes não vemos jogadores veteranos que estão cansados das mesmas regras, buscarem nos jogos indies uma alternativa para desenvolverem mais seus personagens, com um sistema que tenha uma mecânica que (essa sim) prioriza a interpretação e a narrativa? Será que se o sistema que ele usa a anos desse o devido valor á interpretação e profundidade (em termos de mecânica das regras), ele não se sentiria mais imerso no personagem? Se sim, então a vida útil do sistema cresceria, o que é uma coisa boa para o próprio desenvolvedor do jogo que não perderia espaço para jogos que se preocuparam com isso.
E por ultimo: Quando me deparei com a pergunta, percebi que estava sendo usado a palavra privilegiar. Daí pensei em dizer “não privilegiar, mas apenas incentivar e bla, bla, bla” mas refleti por um instante e cheguei a conclusão de que… por que não?
Afinal de contas, quem é mais inteligente é mais recompensado, quem é mais sortudo é recompensado, quem entende melhor o sistema é privilegiado. Então por que quem representa mais não deveria ser? Acho que sendo o RPG um jogo de interpretação, quem interpreta mais (mas não quem interpreta melhor, senão vira concurso) deveria ser recompensado de alguma forma.
Claro, o mais importante é que seja interpretação positiva, que esteja acrescentando diversão ao jogo, e não que esteja enchendo o saco dos demais jogadores. É papel do mestre dar a ultima palavra se uma interpretação esta sendo positiva ou não, mas esse julgo deve levar em conta a opinião de todos.
Existem diversas formas de se conseguir mais interpretação e personalidade nos personagens com apoio das regras.
Um sistema de desvantagens os tornam mais palpáveis, humanos e mais fáceis de se identificar. Vícios, virtudes, visão do significado da vida e processos mais intimistas os tornam mais profundos e reais. E por que não conceder +2 numa rolagem ou a possibilidade de uma re-rolagem se o jogador interpretar de uma forma condizente? Quem sabe conceder “pontos de interpretação” que possam ser usados futuramente, como uma ajuda numa próxima interpretação?
Existem muitas maneiras de se dar privilégios a quem se esforça em interpretar, e o sistema tem sim que achar um meio de coloca-lo em suas regras. Quem não quiser não interpreta, mas quem quiser deveria ser recompensado.
Resumindo, acho válido o sistema ter regras para privilegiar alguém que esteja interpretando pois isso ajuda aos iniciantes a entenderem o propósito do jogo, aumenta a vida útil do sistema, reforça que a interpretação parte é fundamental do RPG e, além de tudo, continua sendo apenas um “plus” para quem quiser interpretar.
Assim como também acho ótimo dar privilégio a jogadores pró-ativos, mas isso é assunto para outro post.
Então? Estou certo ou não to errado?
Matéria retirada do blog Atributo confiram mais matérias lá...

No ultimo post, surgiu um comentário muito interessante que, além de outras coisas, tocava na questão de que o sistema não deveria necessariamente interferir na interpretação, e que este aspecto do RPG deve partir dos próprios jogadores e mestres. Resumindo: “porque todo mundo espera que o SISTEMA privilegie a interpretação?”
Antes de mais nada quero esgotar algumas respostas que considero serem lugar-comum, assim podemos analisar melhor a questão.
- “cada um joga do jeito que gosta independente do sistema” – (sim, sabemos disso e não é isso que estamos discutindo)
- “As regras não são leis, e podem ser modificadas ou quebradas se necessário” – (ok, parece que você leu com sucesso o primeiro capítulo de qualquer livro de RPG, e eu também)
- “Se não gosta de um estilo ou sistema de jogo, procure um que se adeque melhor ao seu gosto” – (sim, isso também vale pra sua pizza)
- “RPG é pra ser divertido, e é isso que importa” – (sim, mas muitas vezes sua namorada não entende e enche o saco por você de jogar)
Obrigado Capitão-Óbvio, agora vá e ajude a outros necessitados!
Pronto, agora que passou meu surto de cinismo quero ir direto aos pontos importantes e discutíveis.
Minha opinião é: sim qualquer sistema deveria ter regras que incentivem e privilegiem a interpretação (e preciso lembrar que privilegiar e priorizar são palavras de significados bem diferentes).
E porque?
Primeiro motivo: pode ser que o sistema em questão seja o primeiro RPG com que o indivíduo esteja tendo contato. Sendo assim é necessário que este seja um manual completo do jogo. Precisa passar o conceito geral de como funciona uma sessão de jogo, de uma forma que seja natural querer interpretar, até mesmo para o cara mais desenformado que por acaso ganhou os 3 livros de D&D 4th no amigo secreto da empresa!
Se o sistema não tratar o RollerPlaying como parte de suas regras de forma que ele realmente faça diferença, então teremos algo como os “emoticons” dos jogos de MMORPG. Não servem pra nada, quase ninguém usa e quem usa passa por idiota.
Segundo motivo: quantas vezes não vemos jogadores veteranos que estão cansados das mesmas regras, buscarem nos jogos indies uma alternativa para desenvolverem mais seus personagens, com um sistema que tenha uma mecânica que (essa sim) prioriza a interpretação e a narrativa? Será que se o sistema que ele usa a anos desse o devido valor á interpretação e profundidade (em termos de mecânica das regras), ele não se sentiria mais imerso no personagem? Se sim, então a vida útil do sistema cresceria, o que é uma coisa boa para o próprio desenvolvedor do jogo que não perderia espaço para jogos que se preocuparam com isso.
E por ultimo: Quando me deparei com a pergunta, percebi que estava sendo usado a palavra privilegiar. Daí pensei em dizer “não privilegiar, mas apenas incentivar e bla, bla, bla” mas refleti por um instante e cheguei a conclusão de que… por que não?
Afinal de contas, quem é mais inteligente é mais recompensado, quem é mais sortudo é recompensado, quem entende melhor o sistema é privilegiado. Então por que quem representa mais não deveria ser? Acho que sendo o RPG um jogo de interpretação, quem interpreta mais (mas não quem interpreta melhor, senão vira concurso) deveria ser recompensado de alguma forma.
Claro, o mais importante é que seja interpretação positiva, que esteja acrescentando diversão ao jogo, e não que esteja enchendo o saco dos demais jogadores. É papel do mestre dar a ultima palavra se uma interpretação esta sendo positiva ou não, mas esse julgo deve levar em conta a opinião de todos.
Existem diversas formas de se conseguir mais interpretação e personalidade nos personagens com apoio das regras.
Um sistema de desvantagens os tornam mais palpáveis, humanos e mais fáceis de se identificar. Vícios, virtudes, visão do significado da vida e processos mais intimistas os tornam mais profundos e reais. E por que não conceder +2 numa rolagem ou a possibilidade de uma re-rolagem se o jogador interpretar de uma forma condizente? Quem sabe conceder “pontos de interpretação” que possam ser usados futuramente, como uma ajuda numa próxima interpretação?
Existem muitas maneiras de se dar privilégios a quem se esforça em interpretar, e o sistema tem sim que achar um meio de coloca-lo em suas regras. Quem não quiser não interpreta, mas quem quiser deveria ser recompensado.
Resumindo, acho válido o sistema ter regras para privilegiar alguém que esteja interpretando pois isso ajuda aos iniciantes a entenderem o propósito do jogo, aumenta a vida útil do sistema, reforça que a interpretação parte é fundamental do RPG e, além de tudo, continua sendo apenas um “plus” para quem quiser interpretar.
Assim como também acho ótimo dar privilégio a jogadores pró-ativos, mas isso é assunto para outro post.
Então? Estou certo ou não to errado?
Matéria retirada do blog Atributo confiram mais matérias lá...
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